26.11.07


AS IDÉIAS
PRECISAM SER INTENSAS
REPLETAS AINDA QUE REPETIDAS
CONFUNDIDAS FODIDAS
MAS INTENSAS.
AS IDÉIAS
PARA SEREM INTENSAS
NÃO PRECISAM DE METAS
QUE AS DEIXEM NA INÉRCIA
REPLETA DE PALAVRAS LÓGICAS
TENSAS.
DESDE QUE SEJAM INTENSAS
NÃO INTERESSA
COMO VENHAM
AS IDÉIAS.
DESDE QUE SEJAM INTENSAS
SÃO IDÉIAS. AINDA QUE INCOMPL.
na banca de revistas
sempre
a olhos nus
lacrimejantes
vejo a vida
q se anuncia:
não é trágica
nem tão
macia
pq na banca
a avessa poesia
é cínica
como os poemas
q não julgam
não
geram nada
apenas a cênica
beleza
das tantas folhas
em sincronia
ta fosse a banca
de revistas
uma única
absoluta
revista
imensa intensa
sem tristeza
ou alegria: tal fosse
a banca, de revistas,
plástica.

MESMO A COINCIDENCIA - MERA SIGNIFICÂNCIA DO ACASO - SOFRE INFALÍVEL O ENCAIXE PERFEITO DE PEÇAS POSTAS NO PRECISO MOMENTO EM QUE SE ENCONTRAM E LOGO SE COMPLETAM PARA O QUE SE PROCLAMA ASSIM COINCIDÊNCIA TORNAR-SE VIVO EM NOVO FORMATO LÓGICA NOVO VERNÁCULO:

DESTINO.

Para João



Quando
enfim
soubemos quem você era
chovia em Salvador.

Embora não seja convincente
pintar de belas cores
dia chuvoso em Salvador
fazia sol
quando soubemos
enfim
quem você era.

ULTIMAMENTE TENHO CONFUNDIDO O BICHO VERDE COM ESSA ÂNSIA QUE ME LEVA A PÉS ATADOS, QUE ME PREENCHE AS MÃOS COM OS PRÓPRIOS DEDOS, E ME REPLETA DO CONSOLO DE PENSAR SABER QUE TUDO O QUE QUERO E ALMEJO ESTÁ ALÉM DO BICHO VERDE QUE VEJO.

24.11.07

homenagem à minha doce amiga Isabel


O gosto dos lábios de Isabel

sinto pelo cheiro

do batom - vermelho.


Embora intenso

o desejo

de um toque além

de perto

adoço-me os lábios

com a imagem

q faço

do rubro beijo

de Isabel

só pq

não me ouso

tal impacto

pois é fato

q pretencioso

ao mínimo tato

no corpo

rosto

gosto de Isabel

minhas mãos

repletas

de britadeira

farão da pedra deste coração

a doce lama

de uma efêmera

paixão.

22.11.07


Mãos. Ouvidos.
Boca. Nariz.
Olhos.

A vida tem sentidos.

21.11.07



SE AMAR DE VERDADE
FOSSE MESMO POPULAR,

NÃO TENHA DÚVIDAS, AMOR,


FARIA QUESTÃO DE TE ODIAR.

ah
procuro
tanto
Mariana
tanto
procuro
que busco
seu rosto
apenas
seu rosto
na multidão
que assim
se chama
porque nunca
saberei de outros
rostos
enquanto
é no rosto
de Mariana
que me procuro.

para Jedjane


Desajuste


DEIXE COMO ESTÁ.

JURO QUE A QUERO
MAS PREFIRO NÃO TÊ-LA,
POIS QUERENDO-A
PARA TÊ-LA
TODO O MEU QUERER VIRÁ A SER

A POSSE
O POÇO
A POSE.

OFURTODOFRUTOÉPRETO

PORPERTOPRETOPORPER

TOÉFURTODOFRUTOFRU

TODOFURTOÉPRETOPOR

PERTOPRETOPORFURTOÉ

PERTODOFRUTOFRUTODO

PRETOÉPERTOPORFURTOF

URTOPORPERTOÉFRUTODOP

RETOFRUTOPORPERTOÉFU

RTODOPRETOFURTODOPRE

TOÉFRUTOPORPERTOPRETOP

ORPERTOÉFRUTODOFURTO

O último livro de Clarice


A estrela brilha
num canto bem canto do céu.

Como um conto:
brilha a estrela na vida

que a arte imita,
escreve,
irrita.

A hora dessa estrela nunca passa.

Nunca passa do assobio,
da saída discreta,
do lamento de um blue.

A rádio Relógio narra o fim

trágico,
ágil,
mágico
com chuva caindo,
silêncio e carro sofisticado.

O vôo de Macabéa.
O corpo em livramento de si.
De nós.

12.11.07

SONETO REFRIGERANTE

Coca-Cola é espumante
embora não mais como antes
(no tempo em que a bebida preta
fazia parte de toda mesa).

Caetano saudara a Coca
como Milton cantou-a tão bem
e fosse no tempo das canções compostas
Maradona a saudaria também.

E o gosto que a Coca tinha
– nosso velho desentupidor de pia –
certamente não fez escola

pois até Pitu agora tem cola
e depois de Frevo, Tubaína, Tinguá
Schin-Cola, com fé em Deus, há de vingar.

10.11.07

Arranjo abuso (para Antônio Abujamra)

Palco é precipício
passo raso falso risco
quando possível
incerto e plástico
de impacto previsível
ou talvez
dor inteira
no instante mínimo
em que se faz laica
a vida
em risos, rumores,
vaias, choros, mitos,
é ainda assim
o silêncio interno
fingir explícito
a múltiplos cúmplices
e por fim
sedento de aplausos
o pé tão firme
em chão descalço
exige de si
o alívio, o delírio
de ir além do recuo:
à queda imprescindível.

7.11.07

Um golpe de Estado da Bahia

Vaso ruim não quebra
isso eu bem sei de cor
mas vaso pequeno ainda é pior
nem com facada se esfacela.

E quem pousa de marionete
cantando certa a vitória
não imaginava que a história
na hora H também se inverte.

O primeiro passo já foi dado
mas o trabalho não está completo
falta ainda o golpe mais apurado:

tirar ACM de dentro do Congresso
e esfaquear com muito mais cuidado
para enfim matar o ACM Neto.

6.11.07

Crime

E depois do delito cometido

um cigarro, um alívio


não porque paire sobre a cabeça


qualquer peso que na consciência


convide-me à premissa


de futuros pesadelos


a condenar


interrompido


meu sono profundo.


(é apenas a humilde vontade de fumar um cigarro
como quem contempla pasmo o artesanato próprio
de um crime perfeito).
almas sentadas
em cadeiras numeradas
tomando chá
em xícaras
apoiadas nos
poucos versos
q escrevo
almamente. . .


mortais?

Em favor da prosa

NADA DE POESIA.
EU PREFIRO PROSA.
PIOR PRA QUEM SE OUSA
INVENTAR VERSOS E MELODIAS.

NÃO VERSEJO MINHAS PALAVRAS
POSTO QUE NA ESCRITA SE LAVRA
À MEDIDA QUE SE ENCAIXA
A PALAVRA CERTA NA HORA EXATA.

PORQUE A POESIA É SUBJETIVA
E DIZ POUCO – QUASE DESDIZ –
VERDADES, MENTIRAS OU LENDAS,

NÃO ABRO MÃO DO QUE SE OBJETIVA
A DIZER COM OS PONTOS NOS IS
MENTIRAS, VERDADES E LENDAS.

5.11.07

Dedico este poema a:

Vinicius de Moraes,
Gil Vicente, Luiz Melodia,
Clara Nunes, Toninho Vaz,
João do Rio, Henfil, Antônio Maria.

Gal Costa, Marta Rocha, Diadorim,
Cláudio Marzo, Chaves, Lula, Sai Baba,
Hebe Camargo, Fidel Castro, Esperidião Amim,
Srila Prabuphada.

Carlos Drummond de Andrade,
Dona Zica, Oswald, Mauro Naves,
Ronnie Von, Castro Alves, Mário de Andrade,

Kajuru, Leila Diniz, Paula Burlamaqui,
Bento XVI, Caetano Veloso, Helena Ranaldi,
Vera Fischer, Glauco Mattoso, Chico Buarque.

1.11.07

Eva viu a vida


Eva
entre panelas
ganha aspecto de Narciso
e
dorme encolhida
no sofá
que sofre os roncos
da bebida mal bebida
por Eva
que só depois
de muito amar
e filhos ter
descobriu que a vida
é muito mais do que
a tábua de passar.

Aos poetas da praça.

O poeta
na praça
dedilha as cordas
vocais
afinando
um tom acima
seu mais perfeito
verso. Aquele
verso
que em sua poética
pretensão
há-de entornar nos ouvidos
passantes ou parados
da praça
o gosto pálido da vida.

O verso que nem pedra.

Que enfim
inverta os caminhos
desdirecione os ouvidos:

um verso apenas
mais que emenda
e que num primeiro passo
- seguro passo em voz e asco -
expulse da praça
os fervorosos servos de Deus.

Soneto do amor temperado para a musa eternizada



Desde o dia que te comi
não tenho paz, não tenho sossego
e fico intrigado contando nos dedos
as poucas punhetas que nesse tempo bati.

Fito meu pau que já não é o mesmo
parece mais grosso do que no começo
e tua boceta tão rara molhada
hoje só de olhá-la já fica encharcada.

E mesmo quando sem jeito
roço meu cotovelo em teu peito
teu corpo logo se assanha:

decerto é amor que fica
(conheço tuas entranhas
com a palma da minha pica).